O jurista do futuro: web 2.0, informação, direitos e o fim da advocacia
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Gustavo wroteon February 14, 2008 at 7:10pm
Prezados,
Os debates acerca do direito e seu relacionamento com a web 2.0 estão crescendo. Esta é a primeira vez que experimento disponiblizar um RASCUNHO de um post, antes de ser publicado, para que os membros do grupo comentem previamente.
Depois de algum tempo disponível, e esperando que haja vários comentários, publicarei o texto no blog, mostrando de alguma forma as opiniões dos membros deste grupo.
Obs.: o texto está sem links, mas se refere em parte a um post de Suzana Cohen, onde há outros links interessantes.
O post de suzana é: http://suzanacohen.wordpre ss.com/2008/02/14/direito- e-web-20-qual-sera-o-futur o-do-advogado
..........
O JURISTA DO FUTURO: WEB 2.0, INFORMAÇÃO, DIREITOS E O FIM DA ADVOCACIA
Minha amiga Suzana Cohen publicou em seu recém-inaugurado blog Bricolagem High Tech, um post questionando sobre o futuro do advogado, frente ao encontro do Direito com a web 2.0.
A web 2.0 é a internet participativa, onde os usuários comentam e debatem, criam conteúdo e interagem de forma cada vez mais dinâmica. Blogs como o BHT de Suzana e este aqui, enciclopédias como a Wikipédia e redes sociais como o Facebook e o Orkut, são exemplos do que a web 2.0 pode oferecer. Quando o Direito encontra a web 2.0, temos pessoas e informações jurídicas circulando e se desenvolvendo lado a lado na internet. Blogs jurídicos estão cada vez mais presentes na realidade brasileira e mundial e as redes sociais estão disponíveis a debates jurídicos.
Suzana foi inspirada por uma discussão em torno de uma entrevista com jurista britânico Richard Susskind, e publicada na revista época (e também no portal Migalhas). Ele está para lançar o livro O fim dos advogados?, e afirma que, em dez anos, muitos advogados já estarão ameaçados por uma transição no Direito, e que em cem anos a sociedade e a economia terão modificado radicalmente. Seus escritos provavelmente explicam melhor estas estimativas. Suzana lembra ainda que o assunto provocou a fúria dos juristas brasileiros, que se prontificaram a defender a essencialidade da advocacia (ela faz referência a uma matéria no site Consultor Jurídico).
Este assunto (web 2.0 + direitos) tem me interessado e me instigado já há um bom tempo. Prefiro não opinar sobre as idéias de Susskind agora, porque só li a entrevista mencionada. Para fazer algum comentário, se for o caso, deverei ler seus livros antes. Mas acho que posso falar sobre web 2.0 e direitos, e há muito o que falar sobre isso.
Os juristas brasileiros renomados mostraram, na matéria do Consultor Jurídico mencionada, uma visão de certa forma limitada sobre o Direito e sobre a advocacia, ao comentar sobre o assunto. Fala-se muito em processos e defesa de direitos. Todas as pessoas têm seus direitos, especialmente o direito de participar de um processo e de terem um advogado que defenda seus direitos. É até compreensível a dificuldade que possam ter algumas pessoas de visualizar um futuro em que não haja advogados e, talvez, nem processos.
Mas o que vemos hoje? Um Poder Judiciário totalmente congestionado, com poucos servidores para avalanches de processos. Milhares de estudantes se destruindo física, psicológica e emocionalmente para fazer seus 50 pontos na primeira fase do Exame de Ordem. Defensorias públicas trabalhando, muitas vezes, de forma precária. Oh sim, o nosso direito é um direito positivo, escrito, os advogados são essenciais à consecução da Justiça. Então, por que o caos no mundo jurídico brasileiro continua e aumenta?
Ainda acredito na importância do advogado. Mas costumo utilizar a palavra jurista. Por isso, no título deste post escrevi "o jurista do futuro". Acredito que é o jurista do futuro (o J+ ou >J, inspirado no símbolo dos transumanistas que é H+ ou >H) quem determinará quando um advogado (que também é um jurista) será ou não será necessário. O papel do que eu chamo de J+ será (está sendo) o de, essencialmente, possibilitar o diálogo, o falar e ser ouvido, com liberdade total de fluxo de informação. A internet é um meio extremamente útil para isso (embora não seja o único), com os blogs e as redes sociais.
Tenho lutado para integrar o direito e a web 2.0. Mantenho este blog, que espero esteja sendo de utilidade para seus leitores. E tenho alguns grupos jurídicos na rede social Facebook (o principal deles é o Forense Contemporâneo no Facebook). Este grupo mencionado conta com apenas 15 membros e alguns debates abertos. Talvez o número reduzido de membros ainda se deva ao fato de que o Facebook está em inglês (ainda que todos os debates no grupo sejam em português). Mas já sabemos que o Facebook está trabalhando nas traduções da rede social (já está disponível o Facebook em espanhol). Quando houver tal rede social em português, certamente a participação no grupo aumentará - cabe esclarecer brevemente: mesmo sabendo que o Orkut é uma rede social disponível em português, optei pelo Facebook após ler diversos textos sobre ele, o que me fez preferir um pelo outro, pelo menos por enquanto.
Entre um post e outro, fui aprendendo e compreendendo o quanto as pessoas precisam de informação jurídica confiável e de qualidade, e o quanto parece estar difícil o contato com advogados no país afora, apesar do crescente número desses advogados. Exemplo é um post que escrevi no ano passado sobre a lei que permite divórcios e separações extrajudiciais: este post já conta com mais de 400 comentários, muitos dos quais são perguntas que os leitores fazem sobre seus direitos. Diante desse aprendizado, tenho refletido continuamente sobre como deixar o leitor melhor informado, considerando que não é possível responder a questões que se relacionem a situações específicas, por uma simples questão da necessidade da consulta pessoa a um advogado. Essa consulta pessoal, hoje assunto central na advocacia frente ao avanço tecnológico, geralmente se dá quando há algum conflito jurídico ou quando as pessoas precisam resolver suas dúvidas jurídicas sobre casos específicos. Mas na medida em que a web 2.0 ajuda a informação jurídica fluir, as pessoas ficarão cada vez mais bem informadas e lidarão de forma mais eficaz com seus próprios direitos.
Imaginemos a população mais pobre, aquela que precisaria de assistência jurídica gratuita. Se a parcela dessa população mais pobre tem um mínimo de recursos para acessar a internet e aprender a se planejar e tomar medidas que evitem conflitos futuros, especialmente aprendendo a elaborar contratos válidos, a demanda de acesso ao processo diminuirá. Além disso, munidos de documentos e compreendendo seu conteúdo, poderão usufruir melhor dos juizados especiais, em eventual conflito, sem a ajuda de um advogado. Lembremos que muitos advogados têm parte de sua renda proveniente de convênios com defensorias públicas - o beneficiário não paga nada, mas o advogado, no caso, recebe no Estado pela atividade que desempenhou. Se a demanda de assistência jurídica gratuita diminuir, esses advogados conveniados serão menos necessários.
Acredito que o "jurista do futuro" já existe. Algumas coisas ainda precisam mudar, como o acesso à tecnologia (que deve ser ampliado, a ponto de uma cidade como Ribeirão Preto ou São Paulo ter rede sem fio de alta velocidade gratuitamente em qualquer ponto, e acesso a equipamentos - como computadores e celulares - mais baratos).
O acesso à informação jurídica está mudando. E quem está tomando o espaço são os J+.
Os debates acerca do direito e seu relacionamento com a web 2.0 estão crescendo. Esta é a primeira vez que experimento disponiblizar um RASCUNHO de um post, antes de ser publicado, para que os membros do grupo comentem previamente.
Depois de algum tempo disponível, e esperando que haja vários comentários, publicarei o texto no blog, mostrando de alguma forma as opiniões dos membros deste grupo.
Obs.: o texto está sem links, mas se refere em parte a um post de Suzana Cohen, onde há outros links interessantes.
O post de suzana é: http://suzanacohen.wordpre
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O JURISTA DO FUTURO: WEB 2.0, INFORMAÇÃO, DIREITOS E O FIM DA ADVOCACIA
Minha amiga Suzana Cohen publicou em seu recém-inaugurado blog Bricolagem High Tech, um post questionando sobre o futuro do advogado, frente ao encontro do Direito com a web 2.0.
A web 2.0 é a internet participativa, onde os usuários comentam e debatem, criam conteúdo e interagem de forma cada vez mais dinâmica. Blogs como o BHT de Suzana e este aqui, enciclopédias como a Wikipédia e redes sociais como o Facebook e o Orkut, são exemplos do que a web 2.0 pode oferecer. Quando o Direito encontra a web 2.0, temos pessoas e informações jurídicas circulando e se desenvolvendo lado a lado na internet. Blogs jurídicos estão cada vez mais presentes na realidade brasileira e mundial e as redes sociais estão disponíveis a debates jurídicos.
Suzana foi inspirada por uma discussão em torno de uma entrevista com jurista britânico Richard Susskind, e publicada na revista época (e também no portal Migalhas). Ele está para lançar o livro O fim dos advogados?, e afirma que, em dez anos, muitos advogados já estarão ameaçados por uma transição no Direito, e que em cem anos a sociedade e a economia terão modificado radicalmente. Seus escritos provavelmente explicam melhor estas estimativas. Suzana lembra ainda que o assunto provocou a fúria dos juristas brasileiros, que se prontificaram a defender a essencialidade da advocacia (ela faz referência a uma matéria no site Consultor Jurídico).
Este assunto (web 2.0 + direitos) tem me interessado e me instigado já há um bom tempo. Prefiro não opinar sobre as idéias de Susskind agora, porque só li a entrevista mencionada. Para fazer algum comentário, se for o caso, deverei ler seus livros antes. Mas acho que posso falar sobre web 2.0 e direitos, e há muito o que falar sobre isso.
Os juristas brasileiros renomados mostraram, na matéria do Consultor Jurídico mencionada, uma visão de certa forma limitada sobre o Direito e sobre a advocacia, ao comentar sobre o assunto. Fala-se muito em processos e defesa de direitos. Todas as pessoas têm seus direitos, especialmente o direito de participar de um processo e de terem um advogado que defenda seus direitos. É até compreensível a dificuldade que possam ter algumas pessoas de visualizar um futuro em que não haja advogados e, talvez, nem processos.
Mas o que vemos hoje? Um Poder Judiciário totalmente congestionado, com poucos servidores para avalanches de processos. Milhares de estudantes se destruindo física, psicológica e emocionalmente para fazer seus 50 pontos na primeira fase do Exame de Ordem. Defensorias públicas trabalhando, muitas vezes, de forma precária. Oh sim, o nosso direito é um direito positivo, escrito, os advogados são essenciais à consecução da Justiça. Então, por que o caos no mundo jurídico brasileiro continua e aumenta?
Ainda acredito na importância do advogado. Mas costumo utilizar a palavra jurista. Por isso, no título deste post escrevi "o jurista do futuro". Acredito que é o jurista do futuro (o J+ ou >J, inspirado no símbolo dos transumanistas que é H+ ou >H) quem determinará quando um advogado (que também é um jurista) será ou não será necessário. O papel do que eu chamo de J+ será (está sendo) o de, essencialmente, possibilitar o diálogo, o falar e ser ouvido, com liberdade total de fluxo de informação. A internet é um meio extremamente útil para isso (embora não seja o único), com os blogs e as redes sociais.
Tenho lutado para integrar o direito e a web 2.0. Mantenho este blog, que espero esteja sendo de utilidade para seus leitores. E tenho alguns grupos jurídicos na rede social Facebook (o principal deles é o Forense Contemporâneo no Facebook). Este grupo mencionado conta com apenas 15 membros e alguns debates abertos. Talvez o número reduzido de membros ainda se deva ao fato de que o Facebook está em inglês (ainda que todos os debates no grupo sejam em português). Mas já sabemos que o Facebook está trabalhando nas traduções da rede social (já está disponível o Facebook em espanhol). Quando houver tal rede social em português, certamente a participação no grupo aumentará - cabe esclarecer brevemente: mesmo sabendo que o Orkut é uma rede social disponível em português, optei pelo Facebook após ler diversos textos sobre ele, o que me fez preferir um pelo outro, pelo menos por enquanto.
Entre um post e outro, fui aprendendo e compreendendo o quanto as pessoas precisam de informação jurídica confiável e de qualidade, e o quanto parece estar difícil o contato com advogados no país afora, apesar do crescente número desses advogados. Exemplo é um post que escrevi no ano passado sobre a lei que permite divórcios e separações extrajudiciais: este post já conta com mais de 400 comentários, muitos dos quais são perguntas que os leitores fazem sobre seus direitos. Diante desse aprendizado, tenho refletido continuamente sobre como deixar o leitor melhor informado, considerando que não é possível responder a questões que se relacionem a situações específicas, por uma simples questão da necessidade da consulta pessoa a um advogado. Essa consulta pessoal, hoje assunto central na advocacia frente ao avanço tecnológico, geralmente se dá quando há algum conflito jurídico ou quando as pessoas precisam resolver suas dúvidas jurídicas sobre casos específicos. Mas na medida em que a web 2.0 ajuda a informação jurídica fluir, as pessoas ficarão cada vez mais bem informadas e lidarão de forma mais eficaz com seus próprios direitos.
Imaginemos a população mais pobre, aquela que precisaria de assistência jurídica gratuita. Se a parcela dessa população mais pobre tem um mínimo de recursos para acessar a internet e aprender a se planejar e tomar medidas que evitem conflitos futuros, especialmente aprendendo a elaborar contratos válidos, a demanda de acesso ao processo diminuirá. Além disso, munidos de documentos e compreendendo seu conteúdo, poderão usufruir melhor dos juizados especiais, em eventual conflito, sem a ajuda de um advogado. Lembremos que muitos advogados têm parte de sua renda proveniente de convênios com defensorias públicas - o beneficiário não paga nada, mas o advogado, no caso, recebe no Estado pela atividade que desempenhou. Se a demanda de assistência jurídica gratuita diminuir, esses advogados conveniados serão menos necessários.
Acredito que o "jurista do futuro" já existe. Algumas coisas ainda precisam mudar, como o acesso à tecnologia (que deve ser ampliado, a ponto de uma cidade como Ribeirão Preto ou São Paulo ter rede sem fio de alta velocidade gratuitamente em qualquer ponto, e acesso a equipamentos - como computadores e celulares - mais baratos).
O acesso à informação jurídica está mudando. E quem está tomando o espaço são os J+.

Post #2
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Suzana wroteon February 15, 2008 at 4:27am
Gustavo, parabéns pela inciativa! Achei a idéia ótima e bem nos moldes da web 2.0. Eu vou ler o post novamente e comentarei mais em breve.
Algumas coisinhas que podem ser úteis:
1) Seguem os links de 6 artigos publicados pelo Susskind, uma prévia do seu novo livro (eu ainda não tive tempo de ler):
http://business.timesonlin e.co.uk/tol/business/law/a rticle2522748.ece
http://business.timesonlin e.co.uk/tol/business/law/a rticle2522651.ece
http://business.timesonlin e.co.uk/tol/business/law/a rticle2522535.ece
http://business.timesonlin e.co.uk/tol/business/law/a rticle2840923.ece
http://business.timesonlin e.co.uk/tol/business/law/a rticle2886151.ece
http://business.timesonlin e.co.uk/tol/business/law/a rticle2931356.ece
2) O Marco Antonio Gonçalves do blog marketing LEGAL que deu a dica:
http://www.marketinglegal. com.br/mkt/2007/12/tecnolo gia-e-ge.html
3) Tava lendo umas coisas sobre web 3.0, sobre o que se fará a partir dessas infinitas informações que acabam ficando disponíveis na web: as consequencias e como se pode melhor aproveitar o "banco de dados" gerado com a web 2.0. Acho que essa linha obviamente é mais do que aplicável ao caso em questão.
OBS: cada hora inventam uma terminologia nova 2.0, 3.0, 4.0... Mas na verdade não importa o nome que se dá aos bois, mas o que se faz com eles.
Abraço!
Algumas coisinhas que podem ser úteis:
1) Seguem os links de 6 artigos publicados pelo Susskind, uma prévia do seu novo livro (eu ainda não tive tempo de ler):
http://business.timesonlin
http://business.timesonlin
http://business.timesonlin
http://business.timesonlin
http://business.timesonlin
http://business.timesonlin
2) O Marco Antonio Gonçalves do blog marketing LEGAL que deu a dica:
http://www.marketinglegal.
3) Tava lendo umas coisas sobre web 3.0, sobre o que se fará a partir dessas infinitas informações que acabam ficando disponíveis na web: as consequencias e como se pode melhor aproveitar o "banco de dados" gerado com a web 2.0. Acho que essa linha obviamente é mais do que aplicável ao caso em questão.
OBS: cada hora inventam uma terminologia nova 2.0, 3.0, 4.0... Mas na verdade não importa o nome que se dá aos bois, mas o que se faz com eles.
Abraço!

Post #3
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Gabriela replied to Gustavo's poston February 15, 2008 at 7:20am
Muito boa a idéia!
Acho que um caminho fundamental para que isso se torne realidade é também reformular o ensino jurídico. Pegando o exemplo do meu curso de Direito - faz uns 5 anos que não oferecem a disciplina de Informática Jurídica, embora haja a previsão dessa matéria como optativa. Fora essa matéria - com nome ultrapassado e que não é oferecida - praticamente não se tem contato com informações sobre Internet ao longo do curso. Como é que vão formar juristas 2.0 (J+?) fazendo de conta que a Internet não existe?
Bom, e aqui vai a dica de um texto sobre Web 3.0 >> http://howtosplitanatom.co m/news/how-to-define-web-3 0-2/
Acho que um caminho fundamental para que isso se torne realidade é também reformular o ensino jurídico. Pegando o exemplo do meu curso de Direito - faz uns 5 anos que não oferecem a disciplina de Informática Jurídica, embora haja a previsão dessa matéria como optativa. Fora essa matéria - com nome ultrapassado e que não é oferecida - praticamente não se tem contato com informações sobre Internet ao longo do curso. Como é que vão formar juristas 2.0 (J+?) fazendo de conta que a Internet não existe?
Bom, e aqui vai a dica de um texto sobre Web 3.0 >> http://howtosplitanatom.co

Post #4
Gustavo replied to Suzana's poston February 15, 2008 at 7:52am
Obrigado pelas dicas, Suzana.
Acho melhor responder por tópicos também.
1 - Por alto, já notei que os artigos possibilitam comentários, e os leitores do Susskind e do Times estão participando. Agora, procurarei ler cada um dos artigos.
2 - Verifiquei o post do Marco Antonio. Ali ele já constatava a dificuldade de "convencer" que o avanço tecnológico deverá mudar o Direito. Acabo de pensar em uma coisa: este preconceito (digamos assim) com a tecnologia parece mais forte entre os profissionais do Direito, mas os assim chamados sujeitos dos direitos estão mais receptivos ao avanço tecnológico. Quer dizer, quem precisa saber mais sobres seus direitos e como realizá-los, como defendê-los etc., cada vez mais recorre à internet para sanar suas dúvidas. Ainda que seja para receber uma reposta do tipo "consulte pessoalmente um advogado", as pessoas cada vez mais estão consultando primeiro a internet.
Vejamos um exemplo. Sabem que em SP existe um programa que se chama Nota Fiscal Paulista. Escrevi um post sobre isso. Basicamente, uma parte do ICMS pago pelas empresas vai para o consumidor. Isso serve para incentivar o pedido de nota fiscal nos estabelecimentos comerciais. No site oficial da nota paulista há todas as informações sobre o programa, mas para alguns parece que não tem sido tão fácil de compreender as informações por lá. Mesmo sabendo o link para o site, várias pessoas vieram ao meu blog para perguntar coisas sobre a nota paulista (especialmente sobre como fazer o cadastro no site). Ali, as pessoas têm a oportunidade de comentar e ler outros comentários.
3 - Web 3.0? Preciso ler mais sobre isso. Parece que, enquanto estou escrevendo, a Gabriela Zago incluiu um link sobre o assunto. Vou verificar. Em todo caso, é sempre importante cuidar do meio que se utiliza para as transformações. Parece que o Susskind sugeriu que as informações legais poderiam ser compiladas no estilo wiki, e então já começaria a questão de como organizar o banco de dados, como você disse. Já cheguei a pensar em um condomínio de blogs jurídicos e até em um wiki jurídico. Mas ainda é um pensamento apenas, porque não sei como poderia ser feito de forma eficaz.
Vou ver se me informo mais sobre web 3.0.
Abraços.
Acho melhor responder por tópicos também.
1 - Por alto, já notei que os artigos possibilitam comentários, e os leitores do Susskind e do Times estão participando. Agora, procurarei ler cada um dos artigos.
2 - Verifiquei o post do Marco Antonio. Ali ele já constatava a dificuldade de "convencer" que o avanço tecnológico deverá mudar o Direito. Acabo de pensar em uma coisa: este preconceito (digamos assim) com a tecnologia parece mais forte entre os profissionais do Direito, mas os assim chamados sujeitos dos direitos estão mais receptivos ao avanço tecnológico. Quer dizer, quem precisa saber mais sobres seus direitos e como realizá-los, como defendê-los etc., cada vez mais recorre à internet para sanar suas dúvidas. Ainda que seja para receber uma reposta do tipo "consulte pessoalmente um advogado", as pessoas cada vez mais estão consultando primeiro a internet.
Vejamos um exemplo. Sabem que em SP existe um programa que se chama Nota Fiscal Paulista. Escrevi um post sobre isso. Basicamente, uma parte do ICMS pago pelas empresas vai para o consumidor. Isso serve para incentivar o pedido de nota fiscal nos estabelecimentos comerciais. No site oficial da nota paulista há todas as informações sobre o programa, mas para alguns parece que não tem sido tão fácil de compreender as informações por lá. Mesmo sabendo o link para o site, várias pessoas vieram ao meu blog para perguntar coisas sobre a nota paulista (especialmente sobre como fazer o cadastro no site). Ali, as pessoas têm a oportunidade de comentar e ler outros comentários.
3 - Web 3.0? Preciso ler mais sobre isso. Parece que, enquanto estou escrevendo, a Gabriela Zago incluiu um link sobre o assunto. Vou verificar. Em todo caso, é sempre importante cuidar do meio que se utiliza para as transformações. Parece que o Susskind sugeriu que as informações legais poderiam ser compiladas no estilo wiki, e então já começaria a questão de como organizar o banco de dados, como você disse. Já cheguei a pensar em um condomínio de blogs jurídicos e até em um wiki jurídico. Mas ainda é um pensamento apenas, porque não sei como poderia ser feito de forma eficaz.
Vou ver se me informo mais sobre web 3.0.
Abraços.

Post #5
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Gustavo replied to Gabriela's poston February 15, 2008 at 10:02am
Nossa, Gabriela... o texto que você recomendou é sensacional. Pelo que notei é uma compilação de uma série de textos que o autor (Steve Spalding) fez sobre a web 3.0.
Já vi você escrever sobre formação de profissionais e agora você toca novamente no assunto. Então, voltamos nossos olhos para a universidade. Universidade é um assunto que me confunde um pouco, porque é uma instituição que se encontra desatualizada.
Ainda hoje, a universidade é vista como lugar de transmissão de conhecimento, mas de uma maneira precária. Ainda é muito comum que os alunos fiquem sentados ouvindo e os professores fiquem falando. Dá a impressão de que não é incentivado que os alunos tenham iniciativa. Ouvia muito na faculdade a expressão "matéria dada", e alguns professores menos pacientes às vezes ameaçavam: "se vocês não ficarem quietos, vou registrar o assunto como matéria dada". É um meio de controle para que a faculdade verifique se o professor está cumprindo o programa. Mas, vejamos: "matéria dada"? E em alguns casos era assim mesmo, matéria dada, e não debatida, nem aprendida etc.
As universidades deveriam deixar de fazer de conta que a internet não existe, como você disse. E deveriam também disponibilizar espaços e tecnologia para que os alunos desenvolvessem as idéias em parte com sua própria iniciativa. Por que, convenhamos, é ridículo que um professor chegue na sala de aula, abra um código ou uma lei e comece a ler artigo por artigo, ou que faça como uma leitura sobre determinado assunto nas suas aulas. Isso é maçante, não incentiva a busca pelo conhecimento e os alunos não podem não se sentir incentivados a tomar iniciativas criativas.
E, falando em J+... bom, este é um símbolo que pensei ser interessante. Acredito (espero que seja assim mesmo) que nós, neste grupo, você a Suzana, todos por aqui, estamos na base desse avanço. No Brasil afora existem outras pessoas com as mesmas idéias, é claro. Nós estamos criando terminologias, modos de transmitir a informação jurídica, debates, posts, conversas. Falamos sobre o assunto e também somos parte do assunto. Por isso mesmo, o assunto fica muito mais empolgante, porque o futuro do Direito na sua relação com a web 2.0, 3.0 etc., já está acontecendo!
Não sei se o símbolo J+ será do agrado de todos, ou se preferirão jurista 2.0, ou alguma outra designação. Como disse a Suzana, não importa tanto a designação, mas a utilidade.
Já vi você escrever sobre formação de profissionais e agora você toca novamente no assunto. Então, voltamos nossos olhos para a universidade. Universidade é um assunto que me confunde um pouco, porque é uma instituição que se encontra desatualizada.
Ainda hoje, a universidade é vista como lugar de transmissão de conhecimento, mas de uma maneira precária. Ainda é muito comum que os alunos fiquem sentados ouvindo e os professores fiquem falando. Dá a impressão de que não é incentivado que os alunos tenham iniciativa. Ouvia muito na faculdade a expressão "matéria dada", e alguns professores menos pacientes às vezes ameaçavam: "se vocês não ficarem quietos, vou registrar o assunto como matéria dada". É um meio de controle para que a faculdade verifique se o professor está cumprindo o programa. Mas, vejamos: "matéria dada"? E em alguns casos era assim mesmo, matéria dada, e não debatida, nem aprendida etc.
As universidades deveriam deixar de fazer de conta que a internet não existe, como você disse. E deveriam também disponibilizar espaços e tecnologia para que os alunos desenvolvessem as idéias em parte com sua própria iniciativa. Por que, convenhamos, é ridículo que um professor chegue na sala de aula, abra um código ou uma lei e comece a ler artigo por artigo, ou que faça como uma leitura sobre determinado assunto nas suas aulas. Isso é maçante, não incentiva a busca pelo conhecimento e os alunos não podem não se sentir incentivados a tomar iniciativas criativas.
E, falando em J+... bom, este é um símbolo que pensei ser interessante. Acredito (espero que seja assim mesmo) que nós, neste grupo, você a Suzana, todos por aqui, estamos na base desse avanço. No Brasil afora existem outras pessoas com as mesmas idéias, é claro. Nós estamos criando terminologias, modos de transmitir a informação jurídica, debates, posts, conversas. Falamos sobre o assunto e também somos parte do assunto. Por isso mesmo, o assunto fica muito mais empolgante, porque o futuro do Direito na sua relação com a web 2.0, 3.0 etc., já está acontecendo!
Não sei se o símbolo J+ será do agrado de todos, ou se preferirão jurista 2.0, ou alguma outra designação. Como disse a Suzana, não importa tanto a designação, mas a utilidade.

Post #6
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Suzana replied to Gustavo's poston February 15, 2008 at 11:16am
Gustavo, mudando um pouco pra esse assunto de universidades: se ainda não conhece, veja esse vídeo, que também faz parte do projeto do Mike Wesch: Vision of Students Today
http://www.youtube.com/wat ch?v=dGCJ46vyR9o
A página dele no YouTube é: http://www.youtube.com/use r/mwesch
Lá tem outros vídeos com os projetos desenvolvidos com os alunos, inlusive o "the machine is using us".
http://www.youtube.com/wat
A página dele no YouTube é: http://www.youtube.com/use
Lá tem outros vídeos com os projetos desenvolvidos com os alunos, inlusive o "the machine is using us".

Post #7
Gustavo replied to Suzana's poston February 15, 2008 at 7:33pm
Acabei de assistir ao vídeo. É interessante como a câmera entra em uma sala vazia, com centenas de cadeiras, tudo meio sujo e largado, com mensagem escritas pelas paredes, cadeiras etc. Logo depois, a sala já está lotada de alunos, todos amontoados, exibindo mensagens em folhas de caderno ou computadores. E as mensagens vão falando do cotidiano desses estudantes. Enfim, um vídeo muito bem feito.
E as informações do vídeo nos são familiares. Salas de aula lotadas, assuntos mal transmitidos e apreendidos, e a famosa prova. Provas... avaliações...
Pensemos nos concursos públicos. Um concurso público jurídico pode ter uma variação de matérias pedidas. Não é uma regra, mas boa parte dos concursos, na parte objetiva, vem com uns 100 testes a serem respondidos. Muitas, esses 100 testes se referem a vários ramos diferentes do Direito, correspondentes a centenas (até milhares) de páginas de doutrina e de legislação.
Um concurso para cargos como o de Defensor Público ou o de Juiz, geralmente é muito concorrido. São milhares de candidatos para poucas vagas. E tem a famosa nota de corte, existente em certos concursos, que elimina candidatos para fases seguintes. Tudo isso, é a forma encontrada hoje para lidar com a enorme concorrência e o tempo demandado para administrar um concurso.
Mas isso é preocupante. Estamos falando aqui dos benefícios da tecnologia para o Direito, dos J+ entre outras coisas. Ao mesmo tempo em que estamos conversando, centenas de jovens juristas estão usando horas e horas dos seus dias para encher o cérebro de informação, com o fim de responder uma série de perguntas e, se obtiver sucesso, tomar posse em um cargo.
O conhecimento e o estudo são de extrema importância. Mas os editais dos concursos são cruéis e gélidos. O estudante que se vire. Alguns se viram pagando cursinhos preparatórios para concursos. E os que não podem pagar?
Em meio a tudo isso, dificilmente conseguimos manter uma conversa sobre os direitos das pessoas. Ora, os cargos públicos jurídicos servem para cuidar do Direito. Juizes, promotores, defensores públicos server para cuidar do Direito. Mas vemos muita competição, provocações, teorias sobre "como passar em concursos", proliferação de cursos jurídicos, polêmicas no Exame de Ordem e muitas outras coisas, enquanto os realmente interessados (os sujeitos de direitos) estão clamando pela segurança de seus direitos.
E o que vemos? Judiciário saturado, advocacia saturada, concursos públicos saturados, cidades violentas, direitos violados, violência doméstica. E tudo isso junto de uma falta de estrutura física adequada. Alguns vão rir ou dizer que estou exagerando: mas, para mim, fórum sem wireless já começa a ser absurdo, processos em papel começam a ser algo estranho.
Por tudo isso, os J+ promoverão a difusão da informação jurídica, e as pessoas ficarão cada vez melhor informadas sobre seus direito e sobre como realizá-los. O Estado terá que acompanhar esse avanço.
E as informações do vídeo nos são familiares. Salas de aula lotadas, assuntos mal transmitidos e apreendidos, e a famosa prova. Provas... avaliações...
Pensemos nos concursos públicos. Um concurso público jurídico pode ter uma variação de matérias pedidas. Não é uma regra, mas boa parte dos concursos, na parte objetiva, vem com uns 100 testes a serem respondidos. Muitas, esses 100 testes se referem a vários ramos diferentes do Direito, correspondentes a centenas (até milhares) de páginas de doutrina e de legislação.
Um concurso para cargos como o de Defensor Público ou o de Juiz, geralmente é muito concorrido. São milhares de candidatos para poucas vagas. E tem a famosa nota de corte, existente em certos concursos, que elimina candidatos para fases seguintes. Tudo isso, é a forma encontrada hoje para lidar com a enorme concorrência e o tempo demandado para administrar um concurso.
Mas isso é preocupante. Estamos falando aqui dos benefícios da tecnologia para o Direito, dos J+ entre outras coisas. Ao mesmo tempo em que estamos conversando, centenas de jovens juristas estão usando horas e horas dos seus dias para encher o cérebro de informação, com o fim de responder uma série de perguntas e, se obtiver sucesso, tomar posse em um cargo.
O conhecimento e o estudo são de extrema importância. Mas os editais dos concursos são cruéis e gélidos. O estudante que se vire. Alguns se viram pagando cursinhos preparatórios para concursos. E os que não podem pagar?
Em meio a tudo isso, dificilmente conseguimos manter uma conversa sobre os direitos das pessoas. Ora, os cargos públicos jurídicos servem para cuidar do Direito. Juizes, promotores, defensores públicos server para cuidar do Direito. Mas vemos muita competição, provocações, teorias sobre "como passar em concursos", proliferação de cursos jurídicos, polêmicas no Exame de Ordem e muitas outras coisas, enquanto os realmente interessados (os sujeitos de direitos) estão clamando pela segurança de seus direitos.
E o que vemos? Judiciário saturado, advocacia saturada, concursos públicos saturados, cidades violentas, direitos violados, violência doméstica. E tudo isso junto de uma falta de estrutura física adequada. Alguns vão rir ou dizer que estou exagerando: mas, para mim, fórum sem wireless já começa a ser absurdo, processos em papel começam a ser algo estranho.
Por tudo isso, os J+ promoverão a difusão da informação jurídica, e as pessoas ficarão cada vez melhor informadas sobre seus direito e sobre como realizá-los. O Estado terá que acompanhar esse avanço.

Post #8
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Alexandre replied to Gustavo's poston February 17, 2008 at 12:19pm
Parabéns pelo post Susana.
Esta tema é muito interessante. Tenho utilizado vários recursos da web 2.0 em meu blog - DNT - O direito e as novas tecnologias http://www.dnt.adv.br . Será muito válido debater este tema .
Parabéns pelo blog
Alexandre Atheniense
Esta tema é muito interessante. Tenho utilizado vários recursos da web 2.0 em meu blog - DNT - O direito e as novas tecnologias http://www.dnt.adv.br . Será muito válido debater este tema .
Parabéns pelo blog
Alexandre Atheniense

Post #9
1 reply
Suzana replied to Alexandre's poston February 18, 2008 at 6:19am
Olá Alexandre, obrigada. Agora que estou vendo que você é da comunidade aqui do facebook, bem que achei seu nome familiar.
Vi seu blog e acho que ele tem muito a ver com o tema, deixei um comentário por lá. Vamos trocando idéias.
Abraço
Vi seu blog e acho que ele tem muito a ver com o tema, deixei um comentário por lá. Vamos trocando idéias.
Abraço

Post #10
Alexandre replied to Suzana's poston February 18, 2008 at 6:51am
Suzana,
N"ao sabia que vocë era de bh. Se for possivel envie o seu telefone para que possamos prosseguir o assunto sobre sua pergunta.
Abraco,
Alexandre
N"ao sabia que vocë era de bh. Se for possivel envie o seu telefone para que possamos prosseguir o assunto sobre sua pergunta.
Abraco,
Alexandre

Post #11
Gustavo wroteon February 24, 2008 at 10:08am
Pessoal,
Finalimente o post ficou pronto. Desde o resumo que foi publicado para debates neste tópico houve muitos avanços. O debate foi ótimo, com muita interatividade e informações interessantes.
O post acabou ficando dividido em partes e está com um título diferente: "J+: Juristas do Futuro". Abaixo está o endereço da primeira parte. A partir dali é possível ver os links para as demais partes.
Link para o post:
http://dandrea.wordpress.c om/2008/02/24/j-juristas-d o-futuro-parte-i-introduca o
..........
Durante o debate ainda surgiram dois posts novos sobre o assunto, um de Gabriela Zago e outro de Suzana Cohen, com os links abaixo.
Post da Gabriela Zago:
http://www.verbeat.org/blo gs/gabrielazago/2008/02/fu turo-20-um-mundo-sem-advog ad.html
Post da Suzana Cohen:
http://suzanacohen.wordpre ss.com/2008/02/20/direito- e-web-20-qual-sera-o-futur o-do-advogado-desdobrament os
Finalimente o post ficou pronto. Desde o resumo que foi publicado para debates neste tópico houve muitos avanços. O debate foi ótimo, com muita interatividade e informações interessantes.
O post acabou ficando dividido em partes e está com um título diferente: "J+: Juristas do Futuro". Abaixo está o endereço da primeira parte. A partir dali é possível ver os links para as demais partes.
Link para o post:
http://dandrea.wordpress.c
..........
Durante o debate ainda surgiram dois posts novos sobre o assunto, um de Gabriela Zago e outro de Suzana Cohen, com os links abaixo.
Post da Gabriela Zago:
http://www.verbeat.org/blo
Post da Suzana Cohen:
http://suzanacohen.wordpre

Post #12
Marco wroteon February 24, 2008 at 12:45pm
Gustavo, posteriormente lerei seu post, pois esse debate é muito interessante, além de altamente relevante.
Da minha experiência, o que tenho visto é que o advogado que atua em escritório é, em geral, extremamente avesso à tecnologia. Como resultado, tem muito escritório investindo uma nota em sistemas muitos bons, mas que, pela aversão e desinteresse geral (já inclusive na importante fase inicial de customização), acabam sendo subutilizados. Em outras palavras, investimento caro e sem retorno. O mesmo acontece também com o marketing jurídico, a minha área de atuação, que padece de uma incompreensão total por parte dos advogados. Como resultado, mais investimento sem retorno. Para mim, tecnologia e marketing são dois aspectos essenciais da gestão profissional nos escritórios, uma tema bastante atual, mas que poucos escritórios conseguem processar de maneira adequada.
Já com o advogado de empresa, a realidade é outra. O advogado de empresa está inserido em um ambiente orientado à gestão e, portanto, tem que agir de acordo. E, nesse sentido, o que vi em dois eventos recentes dos quais participei (Legal IT e Gestão Empresarial do Departamento Jurídico, ambos promovidos pela IBC), é que os departamentos jurídicos estão investindo muito em sistemas tecnológicos. Como resultado, conseguem gerenciar melhor o departamento e, por consequência, sua inserção no contexto empresarial. Mas um dos principais resultados reside no fato de que alguns departamentos conseguem ter controle de tudo o que se passa, especialmente na condução de trabalhos pelos escritórios terceirizados. Eles conseguem saber quem é mais produtivo e quem é menos produtivos, por exemplo, e agir de acordo. Asssiti a diferentes palestrantes de grandes empresas praticamente falarem em uníssono, dentro dessa temática. Tem um inclusive que definiu métricas de desempenho e coloca para todos os escritórios contratados, de modo a incentivar um certo grau de competição. Escrevi um relato do segundo evento, disponível no link abaixo:
http://www.marketingjuridi co.com.br/Biblioteca/Artig os/Artigo28.cfm
Em suma, o advogado de empresa aparentemente está caminhando na direção certa, dentro da questão levantada pelo Richard Susskind. Já o advogado de escritório, esse definitivamente precisa rever seus conceitos. Agora, diga-se de passagem, já estamos com sistemas jurídicos nacionais muito bons. Se bem configurados e utilizados, revelam tudo o que se passa em um escritório, incluindo a produtividade dos advogados (e sócios!), e são um passo fantástico na direção da chamada gestão profissional. Mas para isso acontecer, o escritório, seus sócios em especial, deve estar preparado para lidar com todas as informações obtidas, ao invés de tomar atitudes como, por exemplo, ignorar, esconder debaixo do tapete ou "passar a mão" na cabeça de apadrinhado. Parte do problema com a tecnologia reside exatamente nesse aspecto comportamental.
Da minha experiência, o que tenho visto é que o advogado que atua em escritório é, em geral, extremamente avesso à tecnologia. Como resultado, tem muito escritório investindo uma nota em sistemas muitos bons, mas que, pela aversão e desinteresse geral (já inclusive na importante fase inicial de customização), acabam sendo subutilizados. Em outras palavras, investimento caro e sem retorno. O mesmo acontece também com o marketing jurídico, a minha área de atuação, que padece de uma incompreensão total por parte dos advogados. Como resultado, mais investimento sem retorno. Para mim, tecnologia e marketing são dois aspectos essenciais da gestão profissional nos escritórios, uma tema bastante atual, mas que poucos escritórios conseguem processar de maneira adequada.
Já com o advogado de empresa, a realidade é outra. O advogado de empresa está inserido em um ambiente orientado à gestão e, portanto, tem que agir de acordo. E, nesse sentido, o que vi em dois eventos recentes dos quais participei (Legal IT e Gestão Empresarial do Departamento Jurídico, ambos promovidos pela IBC), é que os departamentos jurídicos estão investindo muito em sistemas tecnológicos. Como resultado, conseguem gerenciar melhor o departamento e, por consequência, sua inserção no contexto empresarial. Mas um dos principais resultados reside no fato de que alguns departamentos conseguem ter controle de tudo o que se passa, especialmente na condução de trabalhos pelos escritórios terceirizados. Eles conseguem saber quem é mais produtivo e quem é menos produtivos, por exemplo, e agir de acordo. Asssiti a diferentes palestrantes de grandes empresas praticamente falarem em uníssono, dentro dessa temática. Tem um inclusive que definiu métricas de desempenho e coloca para todos os escritórios contratados, de modo a incentivar um certo grau de competição. Escrevi um relato do segundo evento, disponível no link abaixo:
http://www.marketingjuridi
Em suma, o advogado de empresa aparentemente está caminhando na direção certa, dentro da questão levantada pelo Richard Susskind. Já o advogado de escritório, esse definitivamente precisa rever seus conceitos. Agora, diga-se de passagem, já estamos com sistemas jurídicos nacionais muito bons. Se bem configurados e utilizados, revelam tudo o que se passa em um escritório, incluindo a produtividade dos advogados (e sócios!), e são um passo fantástico na direção da chamada gestão profissional. Mas para isso acontecer, o escritório, seus sócios em especial, deve estar preparado para lidar com todas as informações obtidas, ao invés de tomar atitudes como, por exemplo, ignorar, esconder debaixo do tapete ou "passar a mão" na cabeça de apadrinhado. Parte do problema com a tecnologia reside exatamente nesse aspecto comportamental.


