O homem que inventou a bomba de hidrogênio veio a ganhar Prêmio Nobel da Paz anos mais tarde. Isso parece estranho, não é? Mas o fato resume bem a vida de Andrei Dmitrievich Sakharov, que foi repleta de paradoxos.
Nos princípios da Guerra Fria, período conhecido pela corrida armamentista entre os Estados Unidos e a União Soviética, Sakharov defendia que os norte-americanos não deviam ter o monopólio das armas nucleares. Como diretor do conceituado Instituto L...ebedev, desenvolveu a bomba de hidrogênio, fato que lhe garantiu título de herói nacional, inúmeros prêmios e medalhas. Seu trabalho conduziu o país a ser o segundo a deter arsenal atômico e muitos creem que isso foi decisivo para impedir o início de uma Terceira Guerra Mundial.
Porém, durante um teste da bomba em 1955, uma criança e um soldado foram mortos acidentalmente. A partir daí, Sakharov mudou totalmente sua postura e iniciou seu ativismo contra a proliferação das armas atômicas, em favor dos direitos humanos e das liberdades.
Sua nova postura começou a desagradar o governo de Moscou, mas isso não o deteve e, anos depois, fundou o Comitê pelos Direitos Humanos da capital soviética. Em reconhecimento aos seus esforços, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz, que recebeu em 1975.
Já na de´cada de 1980, Sakharov foi preso por protestar publicamente contra a intervenção soviética no Afeganistão e forçado ao exílio em sua própria pátria, na cidade de Gorki, onde passou sete anos. Nesse período, foram revogadas todas as honrarias que o país havia lhe concedido no passado. A readmissão do cientista só foi possível quando o reformista Mikhail Gorbatchov assumiu o comando do governo.
Mesmo ganhado mais notoriedade por encarnar a consciência moral de uma época, Sakharov foi também um mestre da Física que antecipou em um quarto de século as mais avançadas teorias sobre a matéria e o Universo.