O que é essa PEC 241 senão a completa desmontagem de um Estado voltado para as questões sociais, com crivo para fazer isso por duas décadas?
O governo fala em ajuste fiscal através da redução de gastos com educação e saúde. E diz que quem discorda é "contra o Brasil".
Se olharmos com atenção as pesquisas sobre a insatisfação ou preocupação do brasileiro veremos, por motivos óbvios, a corrupção e a saúde.
Neste último caso, a falta de médicos e enfermeiros e a qualidade no atendimento são os que mais geram apreensão.
A proposta também inclui congelamento do valor do salário mínimo, que seria reajustado apenas segundo a inflação.
Trocando em miúdos, põe a conta no colo do trabalhador e precariza ainda mais o sistema de saúde que esse mesmo trabalhador usa.
Isso é um imenso retrocesso! E minha consciência não me permite calar diante disso.
Sem contar que não se fala em sacrifício de nós, políticos em todas as esferas, inclusive dos governantes.
O PT errou, Dilma tem responsabilidade enorme, mas esse caminho de colocar as contas nas costas do pobre é uma história que se repete, independentemente de quem está sentado na cadeira e com a caneta na mão.
Vale frisar que há outros caminhos e que se o governo se empenhasse, com força máxima, para ver aprovado o imposto sobre grandes fortunas, ou Imposto para os ricos ou ainda o imposto de solidariedade (como é chamado em vários países) - o nome importa pouco -, metade do ajuste fiscal já estaria feito.
A verdade é que o famoso leão do imposto de renda, não passa de um gato diante dos ricos.
Em 2013, nada menos do que 71.440 brasileiros, ganharam quase R$ 196 bilhões sem pagar nada de imposto de renda de pessoa física (IRPF).
Foram recursos recebidos como lucros e dividendos das empresas das quais são donos ou sócios.
Sem a taxação sobre grandes fortunas, o paraíso fiscal é aqui. E a PEC não será nada além da manutenção do atual sistema: quem continuará pagando o pato é o trabalhador.
Bem que a FIESP avisou que não pagaria o pato...

