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ATENÇÃO!!!!! Dia 08/06 não percam o Primeiro Encontro de Ogãs da BAIXADA FLUMINENSE que vai acontecer no dia 08/06 às 14:00 hs na FEUDUC Duque de Caxias - Avenida Presidente Kennedy,Nº 9422- Duque de Caxias/RJ Caso queira homenagear algum ogã ou curimbeiro (a) favor enviar um e-mail para: ouvinte@melodiasdeterreiro.com.br Assistam uma parte do encontro de São Gonçalo. Indescritível.
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É VITÓRIA !!!!!!! Compartilho com meus irmãos de fé a nossa vitória. Povo do Axé, agora temos a NOSSA DELEGACIA!!!!! Saravá e Axé, Átila Nunes #LeiAtilaNunes #Decradi #LiberdadeReligiosa #AtilaNunes
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PARTICIPAÇÃO DA UMBANDA E CANDOMBLÉ NA OLIMPÍADA FOI PARAR NA JUSTIÇA. MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA COMITÊ ORGANIZADOR DA OLIMPÍADA PEDE INCLUSÃO DE CULTOS AFROS EM CENTRO ECUMÊNICO. Umbandistas e candomblecistas impetraram um mandado de segurança na tarde desta sexta feira na 14ª Vara da Fazenda Pública contra o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 por terem sido excluídas as religiões de origem africana como a Umbanda e o Candomblé. Assinado pelo advogado Átila Nunes, o mandado de segurança mostrou-se como o único remédio jurídico eficaz para fazer cessar a ilegalidade do ato praticado pelo Comitê Rio 2016, na pessoa de seu presidente. O mandado foi a tentativa final, haja vista as tentativas mal sucedidas, como o pedido de intervenção por parte do ministro da Justiça e o Ministério Público, que buscaram, em vão, uma solução que contemplasse a presença das religiões afro-brasileiras. A exclusão Umbanda e do Candomblé determinada pelo Comitê é um ato discriminatório e de disseminação do preconceito. A não inclusão dessas religiões como participantes do Espaço Ecumênico criado para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos fere os Princípios da Constituição da República Federativa do Brasil – disse Átila Nunes. O Centro Ecumênico na Vila Olímpica, localizado na Barra da Tijuca, onde os atletas ficarão abrigados durante a realização dos Jogos, foi idealizado para que os atletas possam manifestar sua religiosidade no período dos Jogos. E como próprio nome induz, deveria ser um espaço aberto a todos os credos religiosos, visando a unidade de todos os povos por meio da união de todas as religiões em um único espaço, aberto a livre manifestação da fé. O presidente do Comitê Rio 2016 determinou que o local abra espaço para cerimônias do cristianismo, islamismo, judaísmo, hinduísmo e budismo, deixando de fora outras religiões, em especial as de raízes africanas como a Umbanda e o Candomblé, legítimas representantes de tradições que fazem parte da cultura brasileira. O comitê ainda alega que não é possível agradar a todos, em função da pluralidade religiosa, e ressaltou que o Centro Ecumênico estará aberto para adeptos de todas as religiões interessados em auxílio espiritual, mas manteve as atividades eclesiásticas e de atendimento ao público tão somente à cinco religiões, promovendo um ato discriminatório em um espaço que deveria ser para promoção da união de todas as religiões. A decisão do Comitê Rio 2016 choca-se com o reconhecimento nacional da importância cultural exercida pelas religiões de matriz africana, as quais, com milhões de adeptos no Brasil, não terão espaço reservado no Centro Ecumênico que será instalado na Vila Olímpica. Isso deixa claro que o Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016 não tem interesse em dar visibilidade a essas tradições que foram perseguidas e se tornaram patrimônio cultural brasileiro, vedando mais uma oportunidade de igualdade religiosa e de divulgação mundial às religiões de matriz africana, já tão perseguidas e discriminadas em nosso país. Tal decisão fere diretamente o Princípio Constitucional da Liberdade Religiosa, consagrado na Constituição Federal de 1988, cujo artigo 5º, inciso VI, estabelece que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza (...) sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; Cabe ainda ressaltar que a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 19, inciso I, consagrou a natureza laica da república brasileira. Exatamente da laicidade do Estado emerge a obrigação em garantir, o mais amplamente possível, o pluralismo de ideias, fundamento maior da República brasileira (art. 1º, inciso V, da Constituição), o que culmina em uma das funções primordiais dos direitos fundamentais a ser observado pelo Estado, que é a função de não discriminação, pela qual também é dever do Estado assegurar que todos os seus cidadãos sejam tratados como fundamentalmente iguais no gozo dos direitos e garantias declarados na Constituição. Átila Nunes (21) 32825146 atilanunes@emdefesadaumbanda.com.br
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Átila Nunes
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É preciso também conscientizar os estudantes nas escolas sobre a intolerância religiosa. Em minha lei do Estatuto da Liberdade Religiosa isso também é prioridade.

#AtilaNunes #EstatutoLiberdadeReligiosa

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Átila Nunes

Com minha Lei do Estatuto da Liberdade Religiosa institui uma comissão especial que será responsável por debater e criar políticas públicas sobre o tema.

#AtilaNunes #EstatutoLiberdadeReligiosa

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Átila Nunes

Mais um item importante da minha lei sobre o Estatuto da Liberdade Religiosa.

#AtilaNunes #Trabalho #EstatutoLiberdadeReligiosa

NOVIDADE!! Em breve a estreia do novo canal Melodias de Terreiro, no Youtube!!!

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Programa Melodias de Terreiro

NOVIDADE!! Em breve a estreia do novo canal Melodias de Terreiro, no Youtube!!!

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Átila Nunes

Discriminação religiosa é algo que sempre combati. Em minha lei evidente que há um tópico dedicado a isso. Nossa luta não para!

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Orgulho da Nossa Fé

"Quando os orixás me escolheram eu
não recusei, mas balancei muito
para aceitar”

Nasceu em 1894, no dia de Santa Escolástica, Salvador,Bahia...
Descendente de escravos africanos, ainda criança foi escolhida
para ser Iyálorixá do terreiro Ilê Iyá Omi Axé Iyamassê, fundado
em 1849 por sua bisavó, Maria Júlia da Conceição Nazaré.

Mãe Menininha foi uma das principais articuladoras do término
das restrições e proibições sobre a prática do candomblé e o jogo
de búzios em 1930. "Isso é uma tradição ancestral, doutor", ponderava a iyalorixá diante do chefe da Delegacia de Jogos e Costumes. “Venha dar uma olhadinha o senhor também.”

No ano de 1976, foi homenageada pela Escola de Samba carioca
Mocidade Independente de Padre Miguel, com o enredo "Mãe Menininha do Gantois", do carnavalesco Arlindo Rodrigues.

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Orgulho da Nossa Fé

PRESENTES PARA ENTIDADES

Quem nunca se deparou com a dúvida: qual a melhor forma de presentear aquele guia que tanto gosta? Por mais que o gesto seja de gratidã...o as pessoas ficam preocupadas e inseguras no que comprar. Isso por que existe uma cultura aonde supostamente o presente mais caro e mais “luxuoso” agradaria o seu amigo espiritual.

Visão que vai totalmente contra a verdadeira essência da Umbanda, uma religião que prega a humildade e caridade.

Mesmo assim, é fácil ver principalmente em festas de exús pessoas que levam para os guias bebidas e charutos importados, jóias e dinheiro. Alguns chegam até se endividar por que acreditam
que dando presentes desse tipo irão agradar mais as entidades e o pior: receberão em dobro ou triplo o valor investido no “agrado”.

Sempre desconfie quando uma suposto guia propõe troca de favores. Quer um exemplo?

Imagine que uma pessoa está necessitando de um emprego e ouve de um espírito: “Vou conseguir um emprego pra você, mas em troca quero um agrado (jóias, roupas caras,etc).

Umbanda verdadeira não tem preço, não tem taxa e muito menos facilidades. Evidente que o consulente tem todo o direito e liberdade de presentear seu amigo espiritual da forma que bem entender. Mas é preciso saber que os verdadeiros guias deixam bem claro que o
mais importante é a energia e a fé da pessoa.

Para eles, um abraço carinhoso e verdadeiro vale muito mais do que uma garrafa de whisky escocês ou um charuto cubano. Aí vem outra pergunta: de quê adianta ter condições ou se sacrificar para comprar um presente caro se falta o principal: o amor?

É importante alertar que em uma verdadeira casa de Umbanda não existe tratamento diferenciado, ou seja, independente da classe social ou condição financeira todos são iguais.

Lembrem-se: as entidades têm a capacidade de enxergar o coração e sentir a sua alma. Não fique com vergonha ou constrangido se você puder dar uma vela ou uma rosa. Quer presente melhor do que seu amor e gratidão perante aos seus amigos espirituais? Uma coisa é certa: dinheiro no mundo não paga isso! Ajude a divulgar essa informação.

Por Augusto Prates

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Átila Nunes

Mais um tópico da minha lei sobre o Estatuto da Liberdade Religiosa. Vamos compartilhar.

#AtilaNunes #Trabalho #Alerj #EstatutoLiberdadeReligiosa

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Orgulho da Nossa Fé

DICA DE LIVRO TAMBORES DE ANGOLA – Robson Pinheiro

Imagine poder ver e entender o mundo espiritual que existe dentro de um centro de umbanda. Isso é que possibi...lita o livro Tambores de Angola do escritor Robson Pinheiro. O leitor participará de uma visita a bases das trevas e uma agência de vinganças do umbral.

Conhecerá o magnetismo como poderosa ferramenta para desequilibrar consciências e observará o trabalho redentor dos espíritos - índios, negros, soldados, médicos - e de médiuns que
enfrentam o mal com determinação e coragem.

Trecho da obra:
“Aqueles são os guardiões, meu caro Ângelo, são os espíritos
responsáveis pela disciplina e pela ordem no ambiente. Em muitas tendas ou terreiros, são conhecidos como exus. Para nós, são companheiros experimentados em varias encarnações, em serviço militar...

Conhecem profundamente certas regiões do submundo astral e são temidos pela sua rigidez e disciplina.

Como alugar o livro?

Para ter acesso a essa e outras obras basta solicitar informações na secretaria do centro.

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Já curtiram a página Orgulho da Nossa Fé?

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Orgulho da Nossa Fé

MATÉRIA: O PODER DO PENSAMENTO

O poder do pensamento

Já ouviram um guia de umbanda falar para o consulente: “Firma o pensamento filho. Firma a sua fé!”. A verda...de é que a espiritualidade quer mostrar a importância em se pensar positivo para que um problema o dificuldade seja solucionada.

Não é de hoje que existem muitas considerações sobre a força do pensamento. O assunto é tema em diversas religiões e culturas ao redor do mundo. O fato é que somos capazes de emitir e receber energias negativas e positivas.

Vamos a um exemplo: A pessoa está com um problema e vem se consultar com uma entidade. Nesse diálogo todo um trabalho é feito com passes e orientações.

Só que ao sair do centro o consulente se esquece de tudo volta a pensar de forma negativa. O que acontece?
Espíritos obsessores e também pessoas negativas são atraídas por esse desânimo e acabam por atrapalhar cada vez mais a situação.

Ou seja, todo o grande trabalho feito na casa se umbanda foi por água abaixo e precisará ser retomado.
Lembrando que cultivar um pensamento bom não é apenas esperar que a soluções caiam em seu colo.

Só pensar já resolve meus problemas?
A grande questão é que quando falamos em pensar muitos acreditam que tal ato apenas significa refletir sobre uma questão.

Mas pensar é agir, ter iniciativa!
Acreditem, na maioria dos casos os guias apenas sinalizam o caminho com o intuito de mostrar que a pessoa é capaz de alcançar seus objetivos.

De nada adiantará tomar uma passe e achar que conseguirá um emprego se a pessoa não tem a iniciativa de divulgar seu currículo, procurar vagas de trabalho nas agências etc.

Penso positivo e nada dá certo em minha vida.
Será realmente que você pensa positivo? As atitudes refletem o que você conserva em seu coração e na mente.

Sendo assim, como emanar coisas boas se nossas atitudes são errôneas?

Dificilmente uma pessoa que acorda todos os dias reclamando da vida terá olhos para as oportunidades.
Oportunidades, sempre existem. Lembre-se: um caminho simples pode ser a forma mais fácil de trilhar o seu verdadeiro sonho.

Você nunca estará sozinho nessa luta. Do lado espiritual os guias e mentores torcem por você. Acredite, mas também trabalhe para que através de suas ações as mudanças ocorram!

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Programa Melodias de Terreiro

Acabo de sair do velório do meu amigo e irmão Pedro Miranda. Conheci Pedro Miranda ao lado dos meus pais, nas visitas aos terreiros na década de 60. Ainda muito... jovem, eu assistia extasiado os seus pronunciamentos, sempre encerrados com uma prece. E essa foi uma das mais marcantes características de um dos últimos ícones da nossa Umbanda. Pedro foi um exemplo para todos nós, umbandistas ou não. Homem bom, correto, inteiramente dedicado à nossa fé. Obrigado, Pedro Miranda, por tudo que aprendemos com você. Que os guias de luz recebam seu espírito na mesma paz que você nos proporcionava.

Átila Nunes

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Átila Nunes

O Estado em hipótese alguma pode criar dificuldades ou impedir o exercício da fé. Faz parte da minha lei do Estatuto da Liberdade Religiosa.

Abraços,

Átila Nunes

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Átila Nunes

Quantas vezes pessoas tiveram negados direitos à serviços básicos por professarem uma determinada fé. Em minha Lei do Estatuto da Liberdade Religiosa inclui também esse importante ponto.

Abraços,

Átila Nunes.

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Átila Nunes

Quando criei a Lei do Estatuto da Liberdade Religiosa fiz questão de incluir esse tópico importante: a livre manifestação da fé e PROTEÇÃO dos locais de culto.

#AtilaNunes #EstatutoLiberdadeReligiosa

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País registra cada vez mais agressões e quebras de terreiros.

A cada 15 horas, uma queixa de discriminação por motivo religioso é registrada no Brasil, a maiori...a contra credos afro-brasileiros.

Há 130 anos, os trabalhos no terreiro Axé Opô Afonjá, em São João de Meriti, na baixada do Rio de Janeiro, encerravam às 19 horas. Desde agosto, o término do culto foi antecipado em uma hora. A rotina do centro sofreu outra alteração: a líder da casa, a mãe Regina D´Yemanjá, proibiu os fiéis de andar pelas ruas usando os trajes religiosos. O motivo das mudanças: medo. São tentativas de evitar casos como o da menina Kaylane Coelho. Em 14 de junho de 2015, a garota, então com 11 anos, saía de uma festa num terreiro de candomblé, da Vila da Penha, bairro de classe média da Zona Norte do Rio, quando uma pedra atingiu sua cabeça, atirada por dois homens que estavam em um ponto de ônibus.

A dupla, de bíblia em punho, lançou ainda insultos contra um grupo formado por oito pessoas vestidas de branco e depois seguiu seu caminho, impune. O caso gerou indignação, solidariedade entre líderes de vários outros credos (inclusive evangélicos), e serviu como alerta para o acirramento dos ataques às práticas afro-brasileiras. Na ocasião, Káthia Marinho, avó de Kaylane e chefe do terreiro, resumiu: “Essa pedrada atingiu toda uma nação”.

Os números de casos de discriminação religiosa registrados pelo telefone de denúncias do Ministério dos Direitos Humanos, o Disque 100, são alarmantes: entre 2015 e 2017, a cada 15 horas um relato por motivo de intolerância foi relatado, de acordo com o órgão. Segundo os relatórios disponibilizados pela entidade, em 2012 foram 109 notificações em todo o País.

Em 2016, o número saltou para 759 (no primeiro semestre de 2017 foram 169 casos). Os Estados do Rio de Janeiro e São Paulo são os recordistas de ocorrências. A Secretaria de Direitos Humanos fluminense recebeu, entre agosto e outubro de 2017, 42 denúncias de preconceito religioso, sendo que 91% deles contra credos de matriz africana. Um retrocesso medieval em pleno século 21. Como entramos nessa espiral de intolerância?

A partir da Constituição de 1891, a segunda da história do País e a primeira do regime republicano, o Brasil deixou de ser católico, tornando-se um Estado laico. Até então, desde que as caravelas de Cabral surgiram no litoral da Bahia, judeus tiveram de viver como cristãos-novos, sem professar seus rituais, os índios sofreram brutal opressão em nome da fé na Igreja de Roma, e os escravos africanos precisaram abandonar – ou esconder – seus rituais religiosos. Ainda que a lei já permitisse cultos de todas as fés desde 1824 (restringindo a prática a domicílios), as celebrações seguiram sendo feitas com discrição. O racismo jamais deu trégua, turbinando o preconceito contra os credos e ritos da África.

No país do “chuta que é macumba”, a liberdade, de fato, nunca foi plena. O crescimento dos segmentos evangélicos neopentecostais – em especial nas últimas quatro décadas, com a prosperidade multinacional da Igreja Universal do Reino de Deus – elevou a tensão do confronto. E os casos de intolerância não param de crescer.

Desde 15 de maio de 1997, a Lei Federal 9.459 tornou crime a discriminação religiosa.

Traficantes evangélicos

Na escalada de violência, novos personagens levam o terror a regiões mais pobres do Rio. Traficantes que controlam favelas são evangelizados a partir das cadeias e estendem a opressão às comunidades populares por toda a Região Metropolitana da segunda maior cidade do País. “O morro agora é de Jesus. Você vai ter de sair”, avisou um bandido a uma mãe de santo que mantinha antigo terreiro no Complexo do Lins, Zona Norte da cidade. Ele simplesmente bateu à porta dela e, acompanhado de uma quadrilha, expulsou a moradora, que foi-se embora para a Baixada Fluminense, praticamente só com a roupa do corpo.

A ocorrência, no fim do inverno de 2016, não foi fato isolado. O ato prosaico de vestir branco – cor usada por pais e mães de santo e outros fiéis das religões afro-ameríndias – tornou-se um risco em determinadas regiões. Recentemente, um vídeo captado num dos morros do bairro disseminou revolta pelas redes sociais. Homens armados ordenavam que uma líder espírita destruísse o próprio templo, no Dendê (maior favela da região), enquanto comparsas se divertiam entre insultos e piadas.

Na Baixada, foram documentados vários casos de depredação de terreiros, principalmente em Nova Iguaçu, em 2017. A polícia concluiu que o grupo de vândalos era formado por traficantes evangélicos que atuam na cidade. A ordem para os sucessivos ataques teria partido de criminosos presos, convertidos nas penitenciárias.

“Essa brutalidade é antiga. Vem desde pelo menos 1988, quando os primeiros ataques foram registrados”, relata a jornalista e pesquisadora Rosiane Rodrigues, autora do livro “Nós” do Brasil, e integrante do Núcleo de Estudos e Pesquisas da Universidade Federal Fluminense (UFF). E no caldo de intolerância da segunda década do século 21, a pesquisadora enxerga mais truculência e organização na violência. “O que estamos presenciando são ataques terroristas”, adverte. Rosiane qualifica a postura de alguns grupos neopentecostais como “fundamentalismo religioso cristão”, com o objetivo principal de sufocar os movimentos de matriz africana.

Rosiane lembra ainda que os espíritas são minoria no cenário religioso do País: segundo o Censo de 2010, 1,7% dos brasileiros (ou 3,5%, se somados os kardecistas). Ela explica que, abandonada pelo poder público, a parte mais carente da população vive à espera de milagres, e que, por isso, torna-se vulnerável à oratória inflamada dos pastores. Com a entrada de traficantes na equação, a pressão fica ainda maior – o funcionamento de muitas comunidades depende da aprovação dos chefes do tráfico.

“É um dos métodos de racismo mais sofisticados do mundo”, avalia. “As igrejas neopentecostais conseguiram atingir o cerne das demandas dessa população, demonizando tudo que elas representam e apresentando um outro mundo. É uma jogada de mestre”, reconhece Rosiane.

Cenas de pessoas invadindo igrejas e quebrando imagens viraram notícia recorrente, ainda que com menos intensidade do que os ataques a terreiros ou a seus frequentadores.

Criada em meados de 2017, a Secretaria Estadual de Direitos Humanos do Rio de Janeiro registrou 12 casos, todos contra religiões de matriz africana, 11 deles de invasão e atentado a casas de santo só na Baixada Fluminense. Juntam-se a esses crimes a difamação, agressão verbal, entre outros problemas. O secretário Átila Alexandre Nunes, à frente do órgão, garante que os números de casos no Rio vêm crescendo e são muito maiores do que os registrados. “É um fenômeno nacional mais evidenciado no nosso Estado”, diz.

“Os ataques têm como alvo principal os frequentadores de terreiros. O discurso de demonização que teve início entre as décadas de 1980 e 1990 está se refletindo hoje.” O secretário atribui também ao uso maciço das redes sociais a exacerbação de pensamentos totalitários, com o aumento de mensagens racistas e de demonstrações de fanatismo religioso.

Nunes pondera que a sensação de impunidade aumenta a agressividade do movimento evangelizador – muitos seguidores apostam no combate a outras religiões como forma de expandir os domínios da sua fé. É a lógica dos traficantes. “O Rio enfrenta uma particularidade em relação a outros Estados, com facções criminosas impondo uma agenda que chamam de evangélica para o controle do território”, explica o secretário. “Não os considero evangélicos porque não vejo religiosidade na inscrição ‘Só Jesus salva’ em um fuzil”, comenta o secretário. Nunes acredita que só o combate aos crimes de ódio e as denúncias por parte das vítimas poderão mudar o cenário.

Exemplo ancestral da propagação do ódio contra as religiões de matriz africana é o livro Orixás, caboclos e guias: deuses ou demônios?, do líder da Igreja Universal, Edir Macedo, lançado em 1987. A obra é uma declaração de guerra ao espiritismo. “Os exus, os pretos velhos, os espíritos das crianças, os caboclos ou os ‘santos’ são espíritos malignos sem corpo, ansiando por achar um meio para se expressarem nesse mundo, não podendo fazê-lo antes de possuírem um corpo”, escreve o autor.

O preconceito não para por aí: “Existem casos em que, por força das circunstâncias, eles chegam a possuir animais para cumprir seus intentos perversos. (…) Na nossa igreja, temos centenas de pais de santo e mães de santo, que foram enganados por espíritos malignos durante anos a fio”, continua a declaração de intolerância.

O bispo-chefe da Universal chega a dizer que a pombagira é uma entidade causadora, em muitas mulheres, de “câncer no útero e de ovário, entre outras doenças”. O fundador da Universal liga ainda a fé afro-brasileira a problemas mentais. “Essa religião, tão popular no Brasil, é uma fábrica de loucos e uma agência onde se tira o passaporte para a morte e uma viagem para o inferno.”

Textos como esse semeiam o ódio e o desrespeito entre evangélicos neopentecostais. O livro continua à venda e é uma das obras do bispo que discorrem de forma difamatória sobre o espiritismo. Essa pequena amostra de discurso revela muito sobre o que leva mais e mais evangélicos a se armar para combater religiões de matriz africana.

(Especial/Superinteressante)

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