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Contra a mira das bombas, a liberdade da arte

   “A arte verdadeira, a que não se contenta com

variações sobre modelos prontos, mas se esforça por dar

uma expressão às necessidades interiores do homem e da

humanidade de hoje, tem que ser revolucionária, tem que aspirar a uma reconstrução completa e radical da  sociedade.”

André Breton e Diego Rivera, 1938.

 

 

Eu vivo no Brasil da arte de rua. Do samba de roda, hip hop, baião, xote, xaxado, carimbó, frevo, maracatu, afoxé, axé, côco, lundu, maxixe, bumba-meu-boi, tambor de crioula, capoeira, rock, polca de carão, sertanejo, pagode, fandango, milonga, jongo, caboclinho, são joão, cavalo-marinho, grafite, congo, funk, maculelê, partido alto, tecnobrega, ciranda, do cordel. Eu vivo no país da arte popular, que vem do morro, da periferia, da favela, da cidade, do campo, da rua. Na TV, não se vê. Ou fica tudo distorcido, pro turista comprar mais caro. A molecada negra faz rolezinho em shopping center, ocupa seu espaço, vai atrás do seu futuro. O movimento hip hop joga pra escanteio a tentativa de ser enquadrado. Sou jovem, trabalhador, mãe, pobre, favelado, faço da vida a minha arte. Sou o brasileiro que ri, pra não chorar. Desistir, nem pensar! Sou Amarildo, DG, Douglas, Claudia, só mais um silva. Eu só quero ser feliz no lugar que nasci.

 

Sou do tempo em que a liberdade de expressão fica sob a mira das bombas e empregnada de cheiro de gás, pelas mãos de uma ex-guerrilheira. Do tempo em que a liberdade de amar fica presa por quem tem o exemplo dos Direitos Humanos a dar. O tempo em que a corrupção é escrachada no jornal. Que quanto maior o evento realizado, maior é a lei pra calar a boca do povo. As riquezas, tão abundantes sobre o lindo céu azul de anil, escorregam pelas nossas mãos, e quem ousa criticar sente na pele os estilhaços das bombas. 50 anos depois, ainda sinto o golpe. Ditadura acabou, então viva a democracia?!

 

Sou também do tempo de inverter o jogo, de trocar de passe, de confundir o adversário e marcar o gol de placa. A Copa já era! Porque aquele show de horrores caiu por terra, e o legado é remoção, estádio fantasma, sangue de operário derramado. Ver o luxo ser erguido com o suor do povo, o dinheiro do hospital, da escola, do buzão, da minha casa própria, foi o limite. Fui à rua. Em junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro, janeiro, fevereiro, março, abril. E maio? Quero fazer luta e quero fazer arte!

 

Eu construo o Circuito Popular Cultural – Livre. E chamo vocês a um grito de liberdade expresso através da arte, chamo os coletivos de artistas, estudantes, grupos que lutam contra as opressões, movimento popular, a intelectualidade, artistas que fazem cotidianamente uma luta por liberdade e questionamento dessa sociedade.

 

Se as bombas jogadas contra os ventos de junho tiveram que recuar, vou agora transformar seus estilhaços em explosões de arte e cultura popular. Quero chegar chegando nas universidades, escolas, ocupações urbanas, ruas, praças, e tirar da caixola minha viola, pandeiro, chocalho, poesia, e deixar voar os pensamentos. Quero gritar por liberdade com a arte que vem do povo brasileiro. Quero criticar, questionar, revolucionar, virar o mundo de cabeça pra baixo. Quero chutar pra escanteio quem mete um carimbo de crime na nossa cultura popular, e mostrar pra todo mundo que quiser ver as riquezas humanas do nosso país continental.

 

O Circuito  Cultural Livre é meu instrumento pra combater a criminalização da luta, da pobreza e da cultura. Quanto mais cabeça pensando e mais mão fazendo, mais rico é. Chega junto e simbora cantar e dançar, levantando a poeira do passado e empilhando os versos do futuro, que é agora!

 

Para assinar este manifesto e fazer parte desta iniciativa, basta enviar um email para anelonline@gmail.com.

 

Assinam:

1.     Gregório Duvivier – ator e comediante

2.     Lurdes da Luz – Rapper e cantora do grupo Mamelo Sound System

3.     Wado Schlickmann - cantor e compositor

 4.   Hertz Dias – Grupo de rap Gíria Vermelha

5.     Verck – Grupo de rap Gíria Vermelha

6.     Clemente - Grupo Inocentes

 7.     Helena Silvestre – Luta Popular

 8.     Toninho Ferreira – advogado do Pinheirinho

 9.     Tamiris Rizzo - Quilombo Raça & Classe São Paulo

10.     Julio Condaque – Quilombo Raça & Classe – RJ 

11.       Atnágoras Lopes - CSP Conlutas

12.     Ruy Braga - professor do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) 

13.     Henrique Carneiro – professor de História Moderna da Universidade de São Paulo    

14.   Comissão Executiva Nacional da ANEL

 15.   Matheus Gomes, o Gordo (ativista indiciado nas manifestações) – Juventude do PSTU