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Das mãos caíam rezas como orvalho
Caíam rezas das mãos curvas
Sobre a aurora entrevista
No fantástico andar dos gatos.

...

[Face Imóvel]

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aniversário do poeta ♡

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Eu queria avançar para o começo.
Chegar ao criançamento das palavras.

[Livro sobre nada]

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Rodado em 2006, é o primeiro filme da trilogia "Absolutamente Sós", cujo segundo, com Maria Gabriela Llansol, encontra-se disponível aqui: https://www.youtub...
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Eu via a natureza como quem a veste.
Eu me fechava com espumas.

[Retrato quase apagado em que se pode ver perfeitamente nada]

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- 100 anos do poeta -

Seria homem ou pássaro?
Não tinha mãos.
Vestígios de sua boca iam para flor. ...
Havia uns sonhos
Dependurados como roupa.
Uns podres ornamentos de pano e móbiles
Gâmbias dispersas,
Cata-vento. Perto
Havia um barco.
Barco ou peixe?
Não pude precisar.
Vi o homem andando para semente
E a semente no escuro remando para raiz.
[Fragmentos de canções e poemas]

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O poema é antes de tudo um inutensílio.
Hora de iniciar algum
convém se vestir roupa de trapo.
Há quem se jogue debaixo de carro
nos primeiros instantes....
Faz bem uma janela aberta
uma veia aberta.
Pra mim é uma coisa que serve de nada o poema
enquanto vida houver.

Ninguém é pai de um poema sem morrer.

Manoel de Barros (19/12/1916 - 13/11/2014)
...voa, poeta...

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Pode um homem enriquecer a natureza com a sua incompletude?

(Quase árvore)

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Estrela é que é meu penacho!
Sou fuga para flauta e pedra doce.
A poesia me desbrava.
Com água me alinhavo.

...

(Arranjos para assobio)

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Ai, sossego de terras pisadas por mim...
E os silêncios caídos como folhas
Nos limites de uma tarde aberta....

(Fragmentos de canções e poemas)

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O sentido normal das palavras não faz bem ao poema.
Há que se dar um gosto incasto aos termos.
Haver com eles um relacionamento voluptuoso.
Talvez corrompê-los até a quimera.
Escurecer as relações entre os termos em vez de aclará-los....
Não existir mais rei nem regências.
Uma certa luxúria com a liberdade convém.

(Retrato Quase Apagado em que se Pode Ver Perfeitamente Nada)

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Caçador, nos barrancos, de rãs entardecidas,
Sombra-Boa entardece. Caminha sobre estratos
de um mar extinto. Caminha sobre as conchas
dos caracóis da terra. Certa vez encontrou uma
voz sem boca. Era uma voz pequena e azul. Não...
tinha boca mesmo. “Sonora voz de uma concha”,
ele disse.

(Livro das ignorãças)

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Os bens do poeta: um fazedor de inutensílios, um
travador de amanhecer, uma teologia do traste, uma
folha de assobiar, um alicate cremoso, uma escória
de brilhantes, um parafuso de veludo e um lado
primaveril

...

(Sabiá com trevas)

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Eu vejo e transvejo tudo.
Os perfumes eu chego a escutar.
Dos sons eu apalpo as formas.
Misturo todos os sentidos.
E assim eu salvo as palavras que estejam...
fatigadas de informar.

(Oito formas poéticas de curtir as férias)
[photo: Evgen Bavcar]

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A água passa por uma frase e por mim.
Macerações de sílabas, inflexões, elipses, refegos.
A boca desarruma os vocábulos na hora de falar
E os deixa em lanhos na beira da voz.

...

(Seis ou treze coisas que eu aprendi sozinho)

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São mil coisas impressentidas
Que me escutam:
O movimento das folhas
O silêncio de onde acabas de voltar
E a luz que divide o corpo do nascente

...

São mil coisas impressentidas
Que me escutam:
São os pássaros assustados, assustados,
Tuas mãos que descobrem o convite da terra
E os poemas como ilhas submersas...

São mil coisas impressentidas
Que me escutam:
Sou eu apreensivamente
Solicitado pela inflorescência
Redescoberto pelo bulir das folhas...

(Fragmentos de canções e poemas)

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Permita que eu sonhe com
a minha amada também, porque:
- De que me vale ter casa sem ter
mulher amada dentro?
Permita que eu sonhe com uma que ame ...
andar sobre os montes descalça
E quando me vier beijar faça-o
como se vê nos cinemas...
O ideal seria uma que amasse fazer comparações
de nuvens com vestidos, e peixes com avião;
Que gostasse de passarinho pequeno,
gostasse de escorregar no corrimão da escada
E na sombra das tardes viesse pousar
Como a brisa nas varandas abertas...
O ideal seria uma menina boba:
que gostasse de ver folha cair de tarde...
Que só pensasse coisas leves que nem existem na terra,
E ficasse assustada quando ao cair da noite
Um homem lhe dissesse palavras misteriosas ...

(Poesia completa)

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