Director do CIP diz que mercenários facturam com o prolongamento da guerra em Cabo Delgado
O Director do Centro de Integridade Pública (CIP), Edson Cortez, fez este pronunciamento numa entrevista recente ao jornal Magazine Independente. Por este motivo, defende que o seu uso não vai ajudar a resolver o conflito armado que se vive em Cabo Delgado. “A sobrevivência dos mercenários é a existência de guerra, então, quanto mais se prolonga o conflito mais dinheiro eles ganham. Ent...ão, julgo que confiar a vitória na frente de combate aos mercenários é o mesmo que deixar a nossa casa á guarda de um ladrão, que tudo que ele quer é ver-nos a virar as costas e açambarcar tudo que é nosso”, considerou.
Sendo assim, o director do CIP julga que o Governo deveria usar as Forças de Defesa e Segurança (FDS) e que cooperação dos governos vizinhos, fazendo-lhes perceber o quão perigoso pode ser o alastramento deste conflito para a região. “Mas isso passa pelo Governo perceber quais são as causas desse conflito e depois mudar as políticas públicas de modo a reduzir as desigualdades sociais. Maputo não pode continuar a ser a única bolsa de desenvolvimento deste país. É preciso que as outras províncias se sintam como fazendo parte deste país e todos temos os mesmos direitos”, disse.
Naquela entrevista, Edson Cortez alertou sobre o risco de o país não conseguir controlar a exploração dos recurso naturais naquela província nortenha devido ao conflito. “Se continuarmos nesse clima de desordem, pelo menos ao nível de Cabo Delgado, teremos sérias dificuldades de poder controlar os recursos que lá vão ser extraídos. As multinacionais vão se blindar com altos equipamentos de segurança e vão extrair os recursos à vontade, e duvido que o Instituto Nacional do Petróleo tenha capacidade técnica e recursos para aterrar em Pemba e apanhar helicóptero para as zonas de exploração. Logo, terão que se basear na informação que as multinacionais vão disponibilizar de modo a cobrar as receitas”, advertiu.