A Lara Crespo foi, a par com a Eduarda, uma das pessoas que mais desbravou caminho pelos direitos das pessoas trans em Portugal, pagando o preço do isolamento, do sofrimento e da discriminação a todos os níveis. Conhecíamo-nos há mais de dez anos, travámos várias lutas juntos, ajudou-nos a fazer os primeiros projetos de lei sobre identidade de género, já lá vão 10 anos, esteve sempre presente quando o movimento precisou (aqui, num debate em Braga sobre identidades trans, em 2...015). Como disse o Sérgio, a sua morte é mais uma - e não apenas uma entre outras - que não pode ser desligada da sociedade estruturalmente transfóbica em que vivemos, da violência quotidiana que não deixou de existir, da condenação à miséria de tantas pessoas trans, da dificuldade que temos em conseguir redes de suporte capazes, da negligência pública e da nossa incapacidade coletiva (sim, é também nossa) em termos o tempo de nos cuidarmos uns aos outros e às outras. A morte da Lara soma-se ao revoltante número de pessoas trans que todos os anos são assassinadas ou decidem pôr termo à sua vida. Não te esqueceremos, querida Lara. À tua infinita doçura. A tudo o que nos deixas para fazer.
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