Até sempre, PROFESSORA
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Manuela Silva (1932-2019) | Fotografia © Sérgio Aires
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Ontem partiu alguém a quem sempre chamei "professora" - e não o fazia pelo seu título académico ou mera reverência de protocolo. Pela minha parte, procurarei continuar a honrar tudo aquilo que aprendi, e o que fizemos em diversas parcerias ao longo de 25 anos, reafirmando sempre o mesmo princípio: contra a pobreza só pode haver um objectivo - a sua erradicação...
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Nascida a 26 de junho de 1932, em Cascais, Manuela Silva licenciou-se e foi professora no Instituto Superior de Economia e Gestão/Universidade Técnica de Lisboa. Secretária de Estado para o Planeamento no I Governo Constitucional (1976-77), trabalhou em vários grupos de trabalho no âmbito da Comissão Europeia e do Conselho da Europa e presidiu à assembleia geral do Cesis – Centro de Estudos para a Intervenção Social. Foi membro do Graal, movimento internacional de mulheres católicas, na década de sessenta, e presidente do Movimento Internacional dos Intelectuais Católicos/Pax Romana (1983-87), da Juventude Universitária Católica Feminina (1954-1957) e da Comissão Nacional Justiça e Paz, da Igreja Católica (2006-08)
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No início da década de 80, Manuela Silva coordenou, com Alfredo Bruto da Costa, o primeiro estudo que se fez sobre pobreza no país. Publicado com o título “A Pobreza em Portugal”(ed. Cáritas), a obra marcou uma etapa e uma geração de investigadores e activistas e que teria continuação em estudos sobre a “A Pobreza Urbana em Portugal” (ed. Cáritas) e, mais recentemente, “Um Olhar Sobre a Pobreza – Vulnerabilidade e Exclusão Social no Portugal Contemporâneo” (ed. Gradiva). Também nas áreas do desenvolvimento comunitário, repartição do rendimento e retorno de emigrantes os seus estudos foram percursores.